Para nós, dançar na rua é mais do que mostrar o trabalho, é abri-lo para que o observador interfira através do olhar, do gesto, da fala, do registro. Esse encontro transforma tudo: a dança torna-se do lugar e de quem está presente no momento. Nossos corpos na rua estão dispostos e despertos ao encontro, intervindo no ambiente e sendo conduzidos por este.
por Clarissa Silveira
Tudo começou quando um grupo de psicólogas decidiu conhecer seus corpos através da dança. Conectadas com o trabalho de Thais Petzhold, procuraram a bailarina para conduzi-las neste percurso. Passados alguns anos, resolvemos mostrar o percurso desenvolvido: Thaís e Celau grávidos, convidam o grupo formado para dançar no teatro, e o trabalho foi à público. Desde então, a cidade de Porto Alegre passou a conhecer o Percurso Infinito. por Clarissa Silveira



A escrita da dança é verbo. Trabalhamos no movimento, mais precisamente, na experimentação do movimento no corpo. Iniciamos nosso percurso desmanchando hábitos do mover. Foram meses aprendendo a quietude e a escuta da fonte principal do movimento, a respiração. Olhos fechados, foco na percepção das sensações, um exercício contínuo de trazer a consciência para o momento presente. O pensamento também tem seus hábitos e teima em vagar pela imaginação. Fazemos a aterrissagem do pensar buscando o silêncio das ideias estabelecidas. Partimos na aventura de criar. Nosso trabalho acontece a partir do encontro com os espaços que se abrem no pulso da respiração, no silêncio dos pensamentos cotidianos. A palavra se abre como possibilidade, como acontecer. Experimentamos no corpo a abertura de sentido das palavras e elas acabam funcionando como passagem, como um caminho. Movemos a partir da relação com algo, pode ser chão, vento, nuvem, parede, outro corpo, e nessa relação jogamos, não como um sujeito que se relaciona com um objeto e procura desvendá-lo, jogamos desfazendo a dualidade sujeito-objeto. Investigamos a textura, o cheiro, a temperatura, a velocidade, o tônus, a cor e o que mais possa se insinuar em nossa percepção para abrirmos a possibilidade de deixar esse outro passar em movimento pelo corpo.
por Tanise Kettermann




fotos de Andre Chassot (aula/ensaio março 2007)
Nosso processo em sala de aula era lindo. Corpos entregues ao momento presente, experimentando pequenos detalhes, tendo a respiração como âncora e a mente/corpo livre da forma, deixando-se movimentar. Nosso processo/percurso tinha iniciado. Com certeza nunca o finalizaríamos.
Celau e eu estabelecemos nossa parceria entre música e dança em 2000. Encontros para diálogos improvisados aconteceram desde então. Anos depois mais uma parceria eterna: Yuri
A gravidez foi a inspiração que faltava. Mais do que nunca senti o movimento presente no meu corpo e uma vontade enorme de compartilhar estes encontros e processos levou-nos ao palco do Teatro Renascença no dia 12 de abril de 2007. Percurso Infinito “nasceu”.
Clarissa Silveira, Cristiane Knijnick, Samantha Luconi, Tanise Kettermann e Thais Petzhold dançando ao som de Celau Moreyra e Maurico Marques.
por Thais Petzhold







Fotos Andre Chassot / Teatro Reascença, 12/04/2007
BienalB, novembro 2007

Cristopher Bertoni

Valeria Lima

Valeria Lima
Cristopher Bertoni

Criatopher Bertoni
Daniel Lahirihoy
Daniel Lahirihoy
Continuamos com nossas experimentações. Aulas/encontros, momentos de descobertas e poesia. Na sala de aula pequena de uma casa ou apartamento, na Redenção, caminhando pelas ruas, no terraço de um edifício. Qualquer lugar acolhe a investigação. å inspiração e a disponibilidade abrem possibilidades ainda não percebidas. por Thais
Do terraço
Como se abrisse uma larga avenida
Onde o fluxo das luzes pudesse ser visto lá de cima
E de lá já não se sabe onde começa e onde termina
Que se alinha e se transversa
Que é caminho e não finda
Daí que o largo seja íntimo como uma partícula
Que se abre
De pele-avenida sanguínea
Vasos, artérias, fluxos
Que em músculos, deixa-se encontrar
Movimento lento lá em cima
Encontro bifurcar
Transformar em dança a avenida
Avenidando esse estar
por Samantha Luconi
