Percurso Infinito


move-nos o quê? by percursoinfinito
dezembro 1, 2008, 7:28 pm
Filed under: apresentação

Pensando nada compreendemos. Paramos, respiramos, algo mais se mostra. Não conseguimos dizer, mas conseguimos experimentar. Qualquer coisa conceito permanece em constante modificação. A busca é o que está por baixo da forma, aquilo que com olhos cotidianos não vemos mas que, quando os olhos descasam do querer, se mostra como imagem mutante, cheia de camadas e possibilidades. É o cansaço das estórias acabadas. O que não pode ser dito interessa mais: a poesia, a diversidade, o inacabado, o infinito.

Percorrer a pausa, suspender o tempo, esquecer do eu, cair no abismo daquilo que insistimos em negar. É só dar um passo, abrir os ouvidos, tocar com delicadeza. Dar espaço para o vazio, encontrá-lo nos intervalos. Expandir esses intervalos.

Experimentar o risco do desconhecido, a terceira pessoa: a resultante do relacionar-se. Parede, chão, pessoa, ar, vento, som… nada é quando o encontro acontece. Tudo modifica e é modificado, constroem juntos a possibilidade inesgotável do não ser, do não querer, do compor com simplicidade a escultura do momento exato do acontecimento.

Imagens poéticas. Descanso da mente. Mergulhar o corpo no chão, sentir a dureza e maciez do chão que há em mim. Quanto mais de chão eu me permito saber, mais ele me conta baixinho de mim chão também. Reconheço-me no vento e naquela folha seca voando. Basta esquecer. Reconheço-me nos movimentos do meu corpo no espaço, basta esquecer de mim, de ti, do espaço, compreendendo que não há ninguém, a sala sempre estará vazia de mim, de ti, de espaço. Desmanchando-nos enxergo-nos por baixo, por dentro, pelo meio.

Por Thais Petzhold

*Este blog não é “alimentado” pela ordem de dias correntes. Cada post está em permanente manutenção e abastecimento de fotos e textos. Cada vez que você nos visitar dê uma olhadinha geral, provavelmente descobrirá detalhes ainda não vistos.

*A estréia deste trabalho em teatro ocorreu dia 12 de abril de 2007 no Teatro Renascença, na forma de “work in process”.  No mesmo ano participamos da BienalB com o mesmo processo sendo apresentado em espaços alternativos. Recebendo o financiamento do Fumproarte percorremos cinco espaços públicos da cidade de Porto Alegre desenvolvendo ainda mais a composição coreográfica a partir da relação com espaços abertos e com o público. Em 21, 22, 23 e 24 de maio de 2009, na Sala Álvaro Moreyra,  estreamos a versão para teatro após nossa caminhada pelas ruas. Atualmente contamos também com o Prêmio Klauss Vianna de Dança e até final de 2009 faremos mais dez apresentações em Porto Alegre e interior do Rio Grande do Sul.

Desde agosto de 2008 contamos com o Financiamento do Fumproarte e a partir de julho de 2009 com o patrocínio do Prêmio Klauss Vianna, Funarte.  Apoios: Versátil Artes Gráficas e Fiatece.

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3 Comentários so far
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sentir na pequena célula da pele o movimento nascendo… tomar consciencia do corpo inteiro no momento presente, essa é a busca… isso é a dança, a nossa dança!!!

Comentário por clarissa

Teu texto é denso e instigante. Parabéns pelo Vianna. Mereces! Beijos Jussara Miranda

Comentário por Jussara Miranda

Bem interessante.Quanto é o ingresso?

Comentário por Ju




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