Percurso Infinito


novos diálogos by percursoinfinito
maio 4, 2009, 7:37 pm
Filed under: Fumproarte

Zoé Degani, Antonio Rabadan e Carina Sehn trazem para este momento de transição da rua para o teatro novas possibilidades de diálogo e inspiração. Obrigada pela parceria sincera, delicada e inspirada. Thais

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Quando convidada para participar de um projeto intitulado Percurso Infinito tive a felicidade acompanhada da angustia de integrar este desafio. Enquanto artista plástica e mais notoriamente enquanto artista instaladora trabalho com elementos efêmeros na pesquisa constante de vida-morte-renascimento. Estes processos constituintes de um percurso infinito são tão elementares quanto a pesquisa em movimento. Aliás, a pesquisa, por si só, será sempre um percurso infinito, visto que quase sempre seus objetos estão passíveis de transformações e conseqüentes resultados díspares. Na investigação dos elementos cênicos que emoldurarão esta parte do percurso não pude furtar-me, portanto, a utilizar cenicamente a referência ao processo infinito que mais se fez presente em meu trabalho até hoje…
Sendo assim sugiro ao palco pétalas amarelas. Estas pétalas durante a própria encenação estarão sofrendo seu declínio vital, perdendo sua viscosidade e cor, murchando pela ação do tempo… Dançarão juntamente com as bailarinas quando empurradas pelo ar, quando afastadas com mãos, pés, cabelos ou outra parte destes corpos móveis. Presa na imutabilidade de sua forma, de sua cor e cheiro como todos os corpos vivos nas suas mais diferentes formas e espécies. Presa na condição de si própria. Que desfez a rosa para experimentar a fragmentação… Seguirá seu percurso infinito… De pétala amarela morrendo no chão, enfeitando um teatro, dançando pela inércia de seu corpo leve: vasos e seiva…
Somado a presença das pétalas um varal suspenso e móvel em forma de triângulo (pelo percurso infinito desta forma geométrica que remete também aos estágios de tudo que é vivo). Sobre este varal encontrar-se-ão peças de tecido muito fino na cor champagne, mel, chá apoiadas pelo próprio peso numa linha prata que breve estará solitária. Ambos participando das ações propostas. Este tecido estará também na entrada do teatro, recebendo o público com leveza, convidando-o a ultrapassa-lo… Pois num percurso infinito não há a última cortina, há tecidos que interrompem capítulos, que escondem corpos, movimentos e poesia, mas nunca uma cortina que se fecha ao final, não há fim, ha a sucessão eterna de estágios…
O movimento nunca é findo, a ação sim. O corpo envelhece constantemente a cada segundo de vida. As pétalas morrem longe do caule, morreriam de qualquer maneira, mas morrerão sob nossos olhos acelerando o processo, deixando-as sós, sem seu caule. O caule humano: esqueleto. O esqueleto humano: sustentação. A silhueta por detrás de um pano champagne, mel, chá esconde a real forma das coisas. Se é que ela existe. Se é à ela que estamos rumando… Como o próprio nome já diz: não importa… Pois descobrir tais questões é mesmo um percurso infinito. Onde não implica conclusão, interessa mesmo o caminho, pois cada descoberta que se faz nele é um ponto adiante do que estávamos. Por isso formas dançantes, para acompanharem estes corpos de pesquisa. Por isso cores leves para apaziguar nossa ansiedade no caminho. Por isso um triângulo, um prisma que quando encontra um ponto é impulsionado para o outro ad infinitum. C’est la vie… as notas musicais reverberam infinitamente, os corpos transpiram e as flores murcham. Nenhum espetáculo terminará da forma que começou e nenhuma pesquisa nos conduzirá a resposta exatas… Por isso pretendo um cenário sem inicio e sem fim, pois somos somente parte de um percurso que principiou muito antes e seguirá muito além de nossos corpos e nosso entendimento! Um caminho de grandes lenços transponíveis, de flores, notas, corpos, olhos, ar e mais nada. Pensei muito para descobrir que este cenário deveria ser cheio de nada…. o vazio e a experiência… como na fonte colocada no palco em 2007, com água corrente … correndo sempre… como o corpo que gerou uma vida e agora prossegue seu processo de amadurecimento… como nossas mentes ávidas sem repostas exatas! Assumo meu percurso infinito… e pétalas e grandes lenços por serem elementos que envolvem, permanecem indo, sendo… Humildemente reagindo.

ZOÉ DEGANI SOBRE A AMBIENTAÇÃO CÊNICA DO ESPETÁCULO PERCURSO INFINITO

Comentário por percursoinfinito

Olá Meninas, passei pra dizer que estou adorando fazer parte dessa investigação, que vocês vêm trilhando há algum tempo. Acredito no corpo como comunicação para novos espaços, uma amplitude de horizontes em nossos caminhos. Essa necessidade investigativa esta presente em minha pesquisa pessoal, nas áreas por onde desenvolvo meu trabalho. O corpo, como caminho entre Moda e Arte, em seus respectivos processos criativos, sempre permite um grande número de associações. Essa forma de expressão é tão usada nessas áreas porque permite o hibridismo das linguagens, intersecção entre Artes Plásticas, o Cinema, o Vídeo, a Dança, o Teatro, a Música, a Arquitetura e o Design de Moda. Desta forma, o corpo consegue integrar, absorver esses caminhos e torna-se um veículo de comunicação com o outro, com aquele que o observa, sempre tendo presente o que nele está colocado – adornos, pinturas, tatuagens – o que ao corpo se sobrepõe, potencializando seu discurso. Tenho a certeza que no decorrer da nossa caminhada ao figurino ideal para cobrir esses corpos, a troca de saberes e experiências, será muito importante para nós e para minha pesquisa. bjs, Antonio Rabadan

Comentário por percursoinfinito




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